Chapa
Uma chapa de estêncil pode ser feito de qualquer material plano e não muito espesso: papel sulfite, cartolina, plástico, EVA, etc. Por sugestão das professoras Graça Costa e Patrícia Travassos, escolhi o acetato reaproveitado de radiografias antigas. Este material tem uma série de vantagens: é resistente, lavável, flexível, translúcido e orna útil algo que teria como destino natural o lixo.
Por outro lado, a preparação apresenta riscos. A radiografia é revelada com prata, e se quisermos removê-la, devemos colocar a chapa de molho em água sanitária. Após ficar um dia assim, a chapa torna-se translúcida, com óxido de prata depositado no fundo do recipiente. Deve-se manusear essas substâncias com cuidado, poissão tóxicas. (Saiba mais aqui.)
Corte
Com as chapas ‘limpas’, cortei vários retângulos de cerca de 9 x 5 cm. No computador, usando o Adobe Illustrator, compus os caracteres desejados em ITC Avant Garde, com 100 pts, com 2 cm de margem. Recortei esse caracteres, deixando uma margem, e grampeei-os nos retângulos de acetato. Então, com tesoura e estilete, cortei as formas dos caracteres, desprezando os 'olhos' das letras.

Quando se faz uma aplicação em estêncil, deve-se atentar para as ilhas da imagem: áreas negativas circundadas de áreas positivas, que não são ligadas ao molde vazado. Com fontes, a estratégia mais comum para contornar esse problema é o uso de pontes, como na imagem abaixo:
Avant Garde não é minha e queria modificá-la intencionalmente o mínimo possível para destacar as diferenças causadas pelo processo artesanal. Assim, ‘omiti’ os olhos dos caracteres em vez de criar pontes sobre o projeto de Lubalin.
A impressão com estêncil é rápida, limpa e sem mistério. Basta posicionar o molde recortado sobre um suporte e, como rolo, pincel, spray, etc., aplicar o pigmento desejado. Neste projeto, usei tinta de tecido Acrilex® em várias tonalidades, transferida com um pincel chato pequeno, cobrindo igualmente toda a superfície vazada. Não usei spray, que é o mais comum em aplicações verticais, para manter os custos baixos e gerar mais textura nas superfícies.
Outros resultados podem ser obtidos usando-se instrumentos de pintura não-usuais, misturando tipos de tinta e fazendo layers, aplicando um estêncil sobre outro. Abaixo, testes feitos usando o logo da MTV. Com apenas duas cores e dois moldes, consegui imagens bem variadas mudando apenas o instrumento (vários tipos de rolo, pincel e um pedaço de estopa vegetal) e a forma como pintava (com pouca ou muita tinta, pintando apenas partes do molde, usando o molde ao contrário, etc.).






